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Disrupção é conectar pontos que ninguém ainda conectou

2 Comentários
Com a democratização do acesso, as novas tecnologias permitem uma nova experiência e empoderamento aos usuários, mudando radicalmente as regras do jogo.

Imagine-se em uma vila de pescadores, quase deserta, cerca de 20 chalés bem rudimentares e uns dois quilômetros de praia, praticamente, só para você. No meio de tudo isso, uma pousada com wi-fi, ar condicionado, TV a cabo e até transporte por aplicativo. Sabe como você faz para chegar lá? Pelo seu notebook ou qualquer disposto móvel conectado à internet, por meio de um aplicativo de hospedagens. Essa é a verdadeira delícia dos tempos atuais. Uma mistura da busca pelo resgate da essência humana e da exponencial mudança da lógica existencial com o advento das novas tecnologias.

Assim como os táxis não ficaram muito felizes com o UBER, as agências de turismo vão ter que repensar o modelo de negócio a partir do AIRBNB. Será o fim dos intermediários? Quantos serviços, produtos ou bens sofrerão uma transformação com essas tendências? Com o e-commerce, o varejo tradicional terá que se reinventar. Isso é o que chamamos de horizontalidade radical, um dos principais vetores da Remodelagem Extrema, terceira grande verdade do BS In.

Jeremy Ricketts / Unsplash

Na horizontalidade radical, empresas, governos e instituições possuem a chance de colocar nas mãos de usuários internos e externos o poder de decisão. Na nossa visão, isso redimensiona o poder de alcance e de reverberação de qualquer iniciativa. Tatiana Klix, editora do portal Porvir.org, trouxe a horizontalidade como tendência das novas gerações, em sua palestra no BS Festival 2018: “As pesquisas apontam: os alunos desejam se organizar em coletivos horizontais para serem mais questionadores, autônomos e alcançarem liberdade para personalizar seus próprios aprendizados”. Essa tendência já está sendo refletida no mercado de trabalho com o ingresso das gerações mais jovens. Eles não estão nem aí para CLT. Querem autonomia e protagonismo.

Dentro dessa linha de raciocínio, Juliano Foster falou, no BS Festival 2018, sobre ter sido o primeiro homem a se tornar um candidato avatar (inteiramente digital) na política brasileira: “Por muito pouco não concretizamos o sonho de lançar o primeiro candidato digital do mundo. Seria a concretização tech do retorno da democracia direta, lá dos tempos da Grécia”. Vamos combinar que isso seria bem mais interessante do que muitos dos candidatos que estão aí eleitos a partir do nosso sistema eleitoral.

Rawpixel / Unsplash

Até mesmo a teoria máxima do design está sendo questionada, a partir de horizontalidade radical. Durante décadas, influenciado pela vanguardista Escola de Bauhaus, o design teve como mantra a funcionalidade. Com as mudanças tecnológicas e comportamentais, problemas anteriores superados e o surgimento de novos desafios e consciências, é preciso adotar uma nova postura. É chegada a hora em que o design não deve gerar apenas funcionalidade, mas sim felicidade. Gerar felicidade tem tudo a ver com uma boa experiência.

Bom, depois de ler sobre o fim dos intermediários, sobre coletivos horizontais, candidato avatar e sobre um novo propósito ao design, você ainda está reticente sobre a Remodelagem Extrema e o impacto da horizontalidade? Só me resta pedir à vaca das divinas tetas, que derrame o leite bom na cara das ovelhas negras e o leite mau na cara dos caretas, parafraseando Caetano Veloso.

Olhe diferente para modelos estruturais e mentais que aí estão. Eles estão sendo questionados na prática por inovadores que estão conectando pontos que ainda ninguém havia conectado. É como se surgisse uma outra visão, composta por caminhos que estavam ali, mas que ninguém ainda havia percebido.

Robert Anasch / Unsplash

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2 Comentários

  • 15 de fevereiro de 2019 a 17:38
    Olavo Fröhlich

    Ter a democracia grega como modelo, doeu.

    Resposta
    • 27 de fevereiro de 2019 a 11:36
      blacksheep

      Caro Olavo, não temos a pretensão de causar dor a ninguém. Entenda que é uma citação de uma opinião particular, que temos o livre arbítrio de discordar ou não. Não é nossa pretensão nesse artigo discorrer sobre a história da democracia grega. Grande abraço!

      Resposta

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